terça-feira, 28 de outubro de 2008

Nossos animadores "brasucas"



Humberto Mauro





Alê Abreu
Anélio Lattini Filho








Alan Sieber










Ruy Perotti










Cao Hamburguer

domingo, 26 de outubro de 2008

Mauricio de Sousa: o querido pai da Mônica e um excelente animador






Quem acha que no Brasil não existem animações de qualidade, está muito enganado.



O famoso Mauricio de Sousa, o pai da Mônica e da turma, já faz algum tempo que vem promovendo vários projetos de animações aqui no Brasil, como o filme lançado recentemente nos cinemas “Uma aventura no tempo”. Mas quando começou os seus projetos para “animar” a turminha? Vamos voltar um pouco na história do Mauricio...
Quando os seus trabalhos começaram a ser conhecidos no exterior e em diversos países, surgiram revistas com a Turma da Mônica.
Mas chegou a década de 80 e a invasão dos desenhos animados japoneses, e Mauricio ainda não tinha desenhos para televisão. E perdeu mercados.
Resolveu enfrentar o desafio e abriu um estúdio de animação a Black & White com mais de 70 artistas realizando 8 longas-metragens. Estava se preparando para a volta aos mercados perdidos, mas não contava com as dificuldades políticas e econômicas do país. A inflação impedia projetos a longo prazo (como têm que ser as produções de filmes sofisticados como as animações), a bilheteria sem controle dos cinemas que fazia evaporar quase 100% da receita, e o pior: a lei de reserva de mercado da informática, que nos impedia o acesso à tecnologia de ponta necessária para a animação moderna.
Mauricio, então, parou com o desenho animado e concentrou-se somente nas histórias em quadrinhos e seu merchandising, até que a situação se normalizasse. O que está ocorrendo agora.
Conseqüentemente, voltam os planos de animação e outros projetos.

Voltando no tempo... 90 anos de animação brasileira

Existe certa dificuldade para se documentar a história da animação brasileira, pelo fato de que nunca houve uma produção regular desse gênero no país. Devido aos diversos obstáculos para o seu desenvolvimento, há poucos estúdios, e é grande a quantidade de material ainda não documentado. Temos mais ou menos 90 anos de história da animação aqui no Brasil. O cinema de animação brasileiro tem uma história curta nos primeiros cinquenta anos deste século. Logo no início dos anos 10 alguns artistas realizaram cenas animadas para compor os sonhos de personagens de filmes "live-action".

Em 22 de janeiro de 1917, o curta Kaiser, de Álvaro Seth Marins foi a primeira animação brasileira exibida nos cinemas. No mesmo ano, também estreou Traquinices de Chiquinho e seu inseparável amigo Jagunço, primeira animação de personagens e situações típicos brasileiros, baseada nas histórias em quadrinhos da revista Tico-tico. Esse marco histórico funciona como ponto de partida do cinema de animação no Brasil. Nestes 90 anos foram produzidos 19 longas-metragens, centenas de curtas e milhares de filmes publicitários de animação.

Em 1918, é criada a animação As Aventuras de Bille e Bolle, produzido e fotografado por Gilberto Rossi e animado pelo cartunista e animador Eugênio Fonseca Filho (Fono), com personagens inspirados nos quadrinhos americanos Mutt e Jeff, de Budd Fisher. Porém o cenário é típico brasileiro; Bille e Bolle descem de um avião no Viaduto do Chá e, entre travessuras, visitam casas comerciais de São Paulo. Mas Álvado Martins é considerado como o primeiro animador que começou a usar personagens e cenários tipicamente brasileiros.

Até então a história do cinema de animação brasileiro é muito intermitente. Isso se deve à demora do Brasil em encarar o cinema como uma produção industrial. Isto só veio ocorrer por volta dos anos 30, quando foram criados os estúdios da Cinédia e nos anos 40 com o surgimento da Atlântida, que infelizmente nunca se empenharam na produção de filmes de animação.








(foto: o primeiro grande estúdio da Cinédia, localizada no Rio de Janeiro)



Em 1929, Luiz Seel e João Stamato apresentam a animação Macaco Feio, Macaco Bonito.

















Em 1938, os brasileiros passam a conhecer as animações de Walt Disney, sendo que pela primeira vez uma animação é dublada no Brasil. Trata-se de Branca de Neve e os Sete Anões, seguida por outras criações como Pinóquio, Dumbo e Bambi.





Em 1939, o cearense Luiz Sá produz As Aventuras de Virgulino, que narravam o rapto de uma mocinha por um vilão malvado e seu resgate por um valente mocinho. Com desenhos de formas arredondadas e pouco aparato técnico, Luiz Sá encontra dificuldades na distribuição de seu filme, e tem vetada pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) de Getúlio Vargas sua intenção de encontro com Walt Disney por ocasião de sua estratégica visita ao Brasil como parte da "política de boa vizinhança" norte-americana.






O fim se deu em Luiz Sá vende sua única cópia do filme para o dono de uma loja de projetores, que os corta e oferece os pedaços aos clientes como brinde. Assim acaba sua carreira como animador, e ele passa a fazer charges para jornais e revistas cariocas.







Em 1939, chega ao Brasil Walt Disney, com o intuito de estreitar os laços entre os países das três Américas e angariar simpatia para oposição da crescente política nazista de Hitler.

Em 1942, Dragãozinho Manso, de Humberto Mauro, é a primeira animação de bonecos no país. O curta, destinado ao público infantil, foi produzido para o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE).

Somente na década de 1950 que o panorama começou a mudar. Em 1952 o Serviço Especial de Saúde requisita filmes de animação para uma campanha de prevenção de contágio, eliminação de focos de doenças e higiene.



Em 1953, o primeiro longa-metragem de animação brasileiro foi lançado depois que todos já conheciam de cor e salteado o Mickey Mouse, Popeye, Looney Toones entre tantas outras produções estadunidenses. A obra que encantou muita gente e chegou a ser comparada à Fantasia de Walt Disney tem um nome lírico que acompanha a coletânea de relatos folclóricos da região Norte do Brasil: Sinfonia Amazônica, do diretor Anélio Lattini Filho. O filme foi produzido em preto e branco e consumiu 6 anos de trabalho de seu realizador, que trabalhou sozinho em todas as etapas da produção.

Nos anos 60, cresce o número de animações para produções publicitárias e filmes didáticos.

Em 1961, os artistas plásticos Rubens Francisco Lucchetti e Bassano Vaccarini fundaram o Centro Experimental de Cinema de Ribeirão Preto, um núleo para produzir filmes de animação com uma produção mambembe. A matéria-prima do Centro era produtos de papelaria. Possuem dentre as diversas produções, trabalhos interessantes: “Abstrações” e “Tourbillon”.

Em 1967, foi fundado no Rio de Janeiro o Centro de Estudos de Cinema de Animação (CECA). Com sua dissolução foi montado um novo grupo de animação experimental - O Fotograma, que conseguiu dar uma guinada na animação brasileira.


Na década de 70, o jovem Marcos Magalhães se destaca com seu filme "MEOW" de 1976, premiado nos Festivais de Brasília, Havana e Cannes. Marcos estagiou na National Film Board of Canada onde realizou o filme "Animando" de 1972, um filme que demonstra diversas têcnicas de animação. Ao voltar para o Brasil ele participou do acordo entre Brasil e Canada para a criação do Núcleo de Cinema de Animação do CTAV, projeto coordenado por ele de 1985 a 1987. Com esse acordo foi criado o primeiro curso de Animação no Brasil. A continuação do acordo resultou em três núcleos de animação: NACE em Fortaleza (Universidade Federal do Ceará, o do Rio Grande do Sul (Instituto Estadual de Cinema) e o de Minas Gerias (Escola de Belas Artes da UFMG).








Em 1972, é criado o longa-metragem pelo animadador brasileiro de origem japonesa, Yppê Nakashima, um nome lendário na história da animação brasileira, e em 1973, um outro trabalho seu é publicado, o Irmãos Amazonas. Ypê Nakashima chegou ao Brasil em 1956, com 30 anos, depois de estudar belas-artes em Kyoto e consagrar-se como cartunista de grandes jornais japoneses. No Brasil, interessou-se pela animação. Fascinado pelas lendas e folclores brasileiros, gerou o personagem Papapapo, um papagaio que surgiu em vários curtas-metragens que, infelizmente, nunca foram exibidos. Após quase dez anos desde a sua chegada no Brasil, Ypê, com um colaborador brasileiro, realizou os filmes publicitários que lhe trouxeram sucesso considerável. O projeto de produzir um longa-metragem começou a ser gestado em 1966 e, entre criar a história até finalizar a primeira cópia, passaram-se seis anos. "Piconzé" estreou nos cinemas em 1972.








Mesmo com a repressão e a censura em tempos de ditadura militar, eles conquistaram o seu lugar. Um convívio muito bem-vindo entre o Brasil e o Canadá permitiu que alguns profissionais pudessem aprender com tutores canadenses e transformou os anos 80 em uma década muito mais feliz para a animação brasileira. Dessa parceria surgiu o Anima Mundi, que desde de 1993 realiza um dos festivais de animação mais importantes no mundo.

Neste contexto surgiu a Associação Brasileira de Cinema de Animação, ABCA, em 22 de março de 2003, fundada por 27 profissionais espalhados pelo Brasil. A ABCA representa os animadores junto a entidades políticas e privadas apoiando o desenvolvimento dessa arte industrial no país. A ABCA conseguiu editais específicos de animação, elaboração de pesquisa histórica, um censo para mapear todos os realizadores brasileiros e a realização do Dia Internacional da Animação que funciona como difusor da produção anual em mais de 50 cidades brasileiras.






Atualmente o cinema de animação brasileiro vive um expressivo período de crescimento de sua produção o que se reflete na grande quantidade de filmes produzidos nos ultimos anos. Há, cada vez mais, um maior o número de profissionais envolvidos, de técnicas, estilos e temas, gerando também um aumento na qualidade desses filmes.